Terminada minha expedição pelo Kilimanjaro, minha próxima parada foi na Índia. Depois de passar um mês relaxando ao nível do mar nas praias do sul, entre Goa e Kerala, fui ao norte, escapando do calor e buscando a tranquilidade das montanhas. Minha primeira parada foi em Rishikesh, um dos centros mais sagrados para os hindus. A cidade fica no estado de Uttarakhand, aos pés dos Himalaias, e é conhecida como capital internacional do Yoga. Um lugar muito refrescante em que as águas do rio Ganges são propicias a um bom banho. Nessa região, o rio sagrado ainda está limpo.
Era um domingo de abril. Com Julia e Lidh, duas holandesas que também estavam hospedadas no Pinky Hostel, decidimos fazer uma curta caminhada pelas montanhas da região aproveitando a vista panorâmica da cidade e do rio.
Como qualquer outra caminhada em ambientes naturais, sempre tem uma aventura. Nosso ponto de partida foi o bairro de Tapovan, conhecido como o centro espiritual da cidade. Depois de uma hora de caminhada montanha acima, chegamos a um mirante intermediário do rio Ganges. A partir dali seguimos por uma rota bem batida e para nossa surpresa chegamos a um palácio, mais precisamente ao antigo palácio do vice-rei da Índia.
Fomos muito bem recebidos. Como no livro de Alice, chegamos exatamente na hora do chá. E nos serviram uma deliciosa merenda. Ali relaxamos um pouco e disfrutamos do ambiente luxuoso ao redor. Na mesa ainda tinha um jogo chamado Reversi, bastante popular na Inglaterra no final do século XIX e jogamos uma partida.
Nas últimas décadas, o Palácio foi convertido em um spa de luxo chamado Ananda nos Himalaias, considerado um dos melhores do mundo e recebendo visita de gente grossa: atores, empresários, príncipes e a gente hehe. Ficamos com vontade de dormir lá, mas 700 dólares a noite estava muito acima do que a gente tinha planejado pra aquele trekking.
Assim que seguimos a caminhada. Nossa meta era chegar até Kanjapuri, um vilarejo local e de lá voltar de carro. O caminho era todo em descida, mas já estava tarde, eram quase 18h e nos perdemos. Depois de um tempo voltamos ao percurso e finalmente chegamos lá. Por sorte um indiano simpático nos deu carona de volta até Rishikesh. A noite foi o momento de celebrar em alto estilo o que era para ser uma curta caminhada e acabou se tornando um fabuloso trekking com tantas alegrias.
Na Índia é possível viver em diversos séculos ao mesmo tempo e descobrir esse palácio no meio do caminho foi realmente voltar no tempo, ou melhor, parece que o tempo naquele instante ficou eternizado.






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