Expedição ao Topo do Kilimanjaro – A Montanha Brilhante da Tanzânia

Para ingresso na montanha, além de pagar a entrada, era obrigatório contratar um tour com um guia, um cozinheiro e dois carregadores. Uma expedição até o topo dura em média 5 dias. É pouco tempo pra tamanho desafio, mas é uma política do parque e se paga uma boa quantia em dólares cada dia extra na montanha. Assim que aluguei alguns equipamentos que faltavam e no dia 22/01 comecei a expedição com o guia Victor Kinyaiya.

Eu estava com um bom preparo físico e bastante animado com a expedição. O começo da trilha passava por una região de floresta subtropical bastante agradável. Em 2h chegamos a Mandara Huts a 2720 metros. Alí fizemos um pernoite. Comi um prato com bife e couve bem equilibrado e descansei.

No dia seguinte passamos a linha das árvores e levamos 3h até Horombo Huts a 3720 metros. O guia estava impressionado com meu desempenho já que eu tinha chegado com bastante facilidade até este ponto. Ali começaram os erros. Normalmente se faz uma pernoite em Horombo para aclimatar e descansar, o que é muito recomendável. Neste dia com um misto de empolgação e ansiedade, e com bastante insistência da minha parte, decidimos seguir em frente, ou melhor, seguir acima. Assim no mesmo dia fomos até Kibo Huts a 4720 metros. Dormi algumas horas para na mesma noite buscar chegar ao topo! Sim, uma loucura.

A meia-noite começamos a subida com bastante dificuldade. Sentia muita fraqueza e cansaço. Quando comecei a vomitar, chegando aos 5300 metros, decidimos que já não dava mais. Era hora de voltar. Normalmente quando acontece isso, a expedição termina, mas chegamos a um acordo e faríamos uma segunda tentativa. No quinto e último dia teríamos que descer direto do topo até a entrada do parque pra não pagar a tarifa extra de 100 dólares diários. Baixamos até Horombo a 3700 metros e ali eu dormi duas noites. Tirei o dia pra descansar, joguei cartas e tratei de recuperar o cansaço. por um desencontro com os carregadores, fiquei sem a mochila e minha bolsa de dormir, o guia Victor gentilmente me emprestou a dele.

No dia seguinte, dia 25, começamos a caminhada lentamente. Foi um total de cinco horas. Senti menos os efeitos da altitude. Ao chegar de volta ao Kibo huts comi um macarrão com frango e dormi um pouco. A meia-noite começamos novamente a subida ao topo. Não havia vegetação e o ambiente era desértico e com presença de gelo. Era um caminho extremamente íngreme. Diversos grupos caminhavam juntos. Após 2h senti uma leve dor de cabeça. Atingimos Gilmas’s point às 5h a 5.685 metros de altitude. Era um marco importante que marcava o encontro da trilha rochosa com a borda da cratera. A partir dali, o Pico Uhuru, o topo, ficava a cerca de 1h de caminhada.

Após uma breve pausa continuamos até o cume. E finalmente às 6:15 do dia 26/01 chegamos. Um momento lindo: o sol nascendo, um casal que se propôs em casamento, muita gente lá em cima, o topo do continente africano. A segunda tentativa deu certo. A persistência. Muita emoção.

Agora só faltava voltar até a entrada do parque! Baixamos até kibo huts e eu dormi algumas horas. Ao meio-dia começamos a descida, foram 6h até lá. Chegamos quase de noite à entrada do parque. Agradeci ao guia por toda a aventura e me lembrei de uma música que dizia …Eu vim de lá, eu vim de lá, pequenininho, mas eu vim de lá, pequenininho, alguém me avisou pra pisar neste chão devagarinho… Foi outra lição da montanha, que transformou a arrogância em sofrimento e corrigiu a soberba. O brinde desta aventura de estar no topo da África foi pela humildade e pela perseverância!

Lucas Ramalho

Mountaineer, entrepreneur, poet and traveler.

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