O Mundo em Fotopoesia: Vietnã
Após muitas aventuras no Camboja, segui então para o Vietnã, penúltimo país dessa minha jornada pelo mundo. Cheguei em Saigon e logo me hospedei no Hostel Backpackers. Pela manhã fiz um passeio de bike pelo intenso tráfego da cidade, haja motocicleta e poluição por lá. Como a maioria deles dirige bem devagar, acidentes graves são raros e mesmo de bike, eu acompanhava tranquilamente o fluxo. Fui visitar o museu War Remnants que retrata bem a triste realidade vivida pelo país durante a guerra do Vietnã. De ônibus então segui para Mui Ne.
A cidade fica à beira-mar e é uma das cinco top destinations para a prática de Kitesurf. Lá fui eu novamente me aventurar na prática de um novo esporte. Para quem costumava empinar pipa na infância não há muita diferença técnica, só que a pipa dessa vez pode chegar até 21 metros quadrados, suficiente para te levar junto pelos ares. Vendo de longe parece fácil, mas na hora que você segura a barra pela primeira vez, dá pra sentir o frio na barriga. É preciso muita habilidade para manejar a pipa já que com um movimento errado, ela pode te arrastar centenas de metros pelo mar, te jogar com tudo sobre as água ou até mesmo fazer você decolar. Eu fiz o curso de 12 horas que inclui a parte teórica. A prancha exige bastante equilíbrio, para remar e para fazer as manobras. Eu consegui me equilibrar por alguns metros e só. É preciso treinar e pagar bastante para conseguir fazer aquelas “fáceis” manobras e pulos que costumamos ver de kitesurfistas experientes. Em minha última noite pela cidade, fui a um posto médico para comprar algo e encontrei uma moça com a perna quebrada: ela tinha me dito que o vento a jogou com tudo no mar e ela foi a nocaute. Por sorte foi resgatada, mas teve uma fratura na perna. É mole?
De ônibus segui então para Hoi An, diga-se de passagem, os ônibus lá são totalmente diferentes. Primeiro você tem que tirar os sapatos (coitado do motorista), depois há 3 fileiras de beliches, sendo duas laterais e uma central. Cada uma comporta 1 pessoa em cima e outra embaixo. Os 2 corredores são bem estreitos e quem é gordo sofre à beça. Por fim, não há como ficar sentado, já que a cama não é tão reclinável, então você ter que ir deitado o tempo inteiro, mesmo de dia. No entanto os ônibus são bem baratos e com menos de 100 reais, você cruza o país inteiro (~1600 km). De São Paulo, com 100 reais, você só chega ao Rio de Janeiro e olhe lá. Mas eu falava de Hoi An. A cidade é feita para mochileiros. Com um pequeno centro histórico e rodeada de templos, conta com diversos atrativos culturais. À noite todos os viajantes se reúnem em bares à beira do rio e celebram a vida com música e cerveja barata. Encontrei por lá o mesmo Danilo que eu havia conhecido na Tailândia. O mundo dá voltas.
Falando em cerveja barata eu segui então para Hue e para a minha surpresa alguns bares ofereciam um happy hour na faixa. Isso mesmo, das 19h às 23h, a cerveja era grátis e você não precisava comer nada. Alguns podem se perguntar por que, mas eu recomendo que você não questione, apenas beba e seja feliz. Obviamente a maioria pede algum petisco para acompanhar os drinks, mas é opcional. Naquela noite eu bebi muito bem. Dia seguinte fui de bike visitar o túmulo do famoso imperador Minh Mang do século XIX. Na volta a bike quebrou e como tinha uma van marcada para Dong Hoi, encontrei um jeitinho brasileiro: paguei um cara pra me levar de moto de volta para o hotel e a bike foi atravessada. Deu certo.
Dong Hoi é famosa pela caverna Paradise, uma das mais espetaculares que eu já vi. Existe até a possibilidade de se fazer um treking de alguns dias por dentro dela. As estalactites e estalagmites parace que foram esculpidas à mão, de tão lindas que são. Algumas são gigantescas e mais parecem pequenos montes. Sem dúvida, um dos pontos altos da minha trip pelo país. Na verdade ela fica a 60 quilômetros da cidade e é preciso alugar uma scooter para chegar até lá. É tranquilo.
Era começo de agosto e eu finalmente chegava à Hanoi. De lá peguei a van para a famosa Halong Bay, baía com cerca de 3 mil ilhas, declarada patrimônio histórico da humanidade. Eu fui para a ilha principal chamada Cat Ba. As possibilidades de exploração são infinitas: grutas, cavernas, montanhas, praias, outras ilhas inabitadas. Eu, sempre de bike, fui conhecer o famoso Hospital Cave, abrigo à prova de bomba que serviu de esconderijo para os Vietcongues na guerra. Também conheci uma caverna que estava trancada. Ela possuía duas saídas e tinha no mínimo 3 quilômetros de extensão, contando com uma passarela para auxiliar na caminhada. Estava completamente escura e com uma lanterna fiz a exploração do local. Havia estátuas de deuses, uma piscina de cimento e vários morcegos. Nada de assustar hehe.
No total eu fiquei duas semanas pelo país que me serviram para entrar em contato com esse povo maravilhoso. Conversei bastante com os locais e também desfrutei das belezas naturais que o país oferece. O Vietnã pode ser explorado com mais tempo, é um país que vale a pena voltar. De Hanoi eu peguei então meu vôo para o último destino dessa minha jornada, Indonésia.
Lucas Ramalho




















































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