De segunda a segunda
De dia e de noite
Vão correndo sem parar
Sem ter aonde chegar
São formigas atômicas
De corações acelerados
De corpos mutilados
De tanto cortisol
Quem vai saber
Quando o sol vai nascer?
Quem vai sentir
A chuva cair?
Quem vai caminhar
Se só existe correr?
Quem vai chorar
Se não dá tempo nem de sofrer?
São Paulo do cortisol
Tem pressa do amanhã
Dedos nos celulares
Cabeça no instagram
Encontrei um cantinho pra mim
Na esquina do presente
Mas a rua está deserta
Para aonde foi toda essa gente?
São Paulo de muita grana
E de pouca poesia
São Paulo de mil lugares
Que vão subindo pelos ares
Neste lugar de tanta pressa
Todo mundo diz que o tempo voa
Será que um dia ele vai pousar
Na terra da garoa?

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Lucas Ramalho
Mountaineer, entrepreneur, poet and traveler.

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