De repente você está na tua casa tranquilo e pensa: que vontade de voltar à Argentina! Era 2012, real forte, o peso (moeda argentina) estava barato*, só 3 horinhas de avião. Partiu. Um colega de trabalho me havia comentado que havia um lugar bastante interessante para conhecer perto de Buenos Aires: o zoológico de Lujan (hoje em dia desativado). Não era um zoológico qualquer. Além de abrigar animais selvagens de distintos países, elefantes, ursos, leões, tigres, você podia interagir com estes animais bem de pertinho, ou seja, você podia entrar dentro da jaula.
Agora imagine uma fila grande de pessoas esperando a vez de entrar em uma jaula com vários tigres. Cena de filme, não? No momento era difícil processar toda a situação, era uma mescla de medo com tensão e adrenalina. Como eu já estava na fila, eu olhava se as pessoas que entravam na jaula estavam saindo haha.
Muita gente falava que os animais estavam dopados, mas aqueles tigres não pareciam dopados, ao contrário, dois deles estavam bastante furiosos com as visitas que entravam nas jaulas ou estavam incomodados porque estavam nas jaulas. Eles andavam de um lado ao outro com cara de poucos amigos.
No parque eles explicavam que como os animais nasciam e cresciam em cativeiro, perdiam um pouco da sua parte selvagem. Também se usavam cachorros na criação para ajudá-los a serem mais dóceis com os humanos.
Eu sei que ao entrar na jaula meu coração disparou. Os animais eram gigantes. Havia um tigre adulto no meio do lugar sobre uma mesa. Ele parecia mais tranquilo. Um dos cuidadores ao lado do tigre pediu para eu me aproximar e explicou que para tocar no animal, tinha que se fazer força com as mãos. Mas eu por medo acabei tocando no tigre de forma suave, aí o bichano se incomodou, virou a cara na minha direção e ficou me encarando e se ele pudesse falar, ele diria: “O que você quer aqui?”
Quando você toca o tigre de maneira suave, é como fazer cócegas nele. Naquele segundo eu congelei, felizmente aquele tigre estava de bom humor, enquanto os outros dois mais bravos continuavam pra lá e pra cá perto das grades. Fotos tiradas, era hora de cair fora da jaula. Havia outras jaulas mais tranquilas, uma com filhotes de leões. Na do urso não se podia entrar. Depois eu vi um dos cuidadores caminhando pelo parque com um filhote de tigre que brincava com os cachorros.
O parque naquela época parecia em boas condições e os animais não pareciam mal tratados. Anos mais tarde, saíram denúncias de maus-tratos e más condições de higiene. Em 2020, com o lockdown, o parque foi fechado definitamente e os animais foram enviados a outros santuários mundo afora.
Hoje em dias os parques e safaris pelo mundo permitem uma aproximação aos animais selvagens sempre dentro de um carro ou jaula móvel. Mas na Argentina daquela época, foi possível entrar na jaula dos tigres, uma experiência única e irrepetível.
* 1 real comprava 2,5 pesos na época














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