O Mundo em Fotopoesia: Israel
Eram meados de novembro de 2012 quando pisei pela primeira vez no Oriente Médio vindo de Istambul. O aeroporto de Tel Aviv é um dos mais bem controlados do mundo e eu tive certa demora no controle de imigração, mas tudo foi resolvido. Cheguei de madrugada e fui caminhando até a casa de meu anfitrião localizada bem no centro. Na manhã seguinte começaram os supostos ataques palestinos contra Israel. Suposto eu digo, pois acredito que os mísseis reais lançados de Gaza são muito poucos e não pretendem atingir o país diretamente; talvez o famoso Iron Dome seja apenas um sistema de áudio e luz para justificar contínuas agressões à Palestina e a outros países. Você pode checar os argumentos aqui, ali e acolá, todos em inglês. Naquela manhã a sirene de alerta começou a soar por toda a cidade e meu anfitrião tentou me levar desesperadamente para o sótão que contava com um abrigo anti-aéreo. Não sem surpresa, apenas algumas pessoas estavam lá. Aparentemente boa parte da prédio não se importou muito com os mísseis. No mesmo dia ela soou outras três vezes e as pessoas na rua entravam em pânico e começavam a andar em círculos buscando desesperadamente se proteger dos supostos mísseis. Era cômico e eu me sentia assistindo o Show de Truman da vida real. Não dei a mínima para eles. Estava na praia lendo um livro em uma das vezes na qual a sirene soou, todos correram para se proteger. Eu apenas olhei pro lado e vi o que aparentava ser um míssil no ar, então voltei ao livro e continuei calmamente lendo-o. Era muito mais importante do que aqueles shows de pirotecnia. Visitei o centro da cidade, mas, devido à situação, o clima não estava muito bom e para completar não tive uma boa experiência com o anfitrião, aliás foi a única vez usando o site de viajantes que realmente o anfitrião foi ruim.
Decidi então seguir para Jerusalém e aí sim encontrei um lugar que realmente vale a pena. É incrível imaginar que no pequeno espaço da cidade velha tantas culturas diferentes consigam conviver: muçulmanos, judeus, católicos e ortodoxos armênios. E não há qualquer divisão entre eles por lá, de uma rua para outra é possível encontrar sinagogas, mesquitas, igrejas, aliás, umas das mais famosas do mundo, o Santo Sepulcro, onde supostamente Jesus está enterrado. Era bizarro ver turistas, muitos deles brasileiros, fingindo chorar sobre o túmulo posando para fotos. Existem coisas que só são vistas quando se viaja. Por falar em turistas, nunca vi tantos brasileiros em um mesmo lugar como lá em Jerusalém, eles vem em grandes rebanhos falando alto e tentando usar o português para conversar. Nestas horas eu fingia que era de outro país e nem me atrevia a falar com eles. Por causa do grande contato cultural, há também um forte policiamento e a todo instante pedem para revistar a sua mochila. Chega a ser meio paranóico, mas em se tratando de Israel, é compreensível. Lá perto, fica a cidade de Belém, já do lado da Palestina e para cruzar a fronteira é preciso passar por uma boa revista. É realmente outro país, com outro idioma e outra cultura. Lá, cristãos e muçulmanos conviveram pacificamente por vários séculos até a formação do Estado israelense. Várias mesquitas dominam a paisagem e tem a famosa Igreja da Natividade, situada sobre o local onde supostamente Jesus teria nascido, apesar de ele ser chamado Jesus de Nazaré. É possível descer até a Manjedoura para admirar os cristãos rezando fervorosamente.
Ainda aproveitei minha estadia no país para uma visita à antiga cidade de Massada. Em seguida fui juntamente com um rapaz russo nadar no mar morto. É realmente incrível pensar que é quase impossível morrer no mar morto. Não importa o seu peso, você não afunda por lá. Antes de entrar no mar, passamos uma lama preta por todo o corpo que, segundo a tradição local, é medicinal. O único porém é que você não pode coçar o olho já que a água é tão salgada que pode irritá-los. Falando nisso, para quem não tem a oportunidade de ir até lá, é possível ter a sensação de estar flutuando sobre a água aqui em São Paulo, no Vector Equilibrium. Lá tem um tanque de flutuação chamado Flutuarium que simula condições de privação sensorial completa: água na mesma temperatura do corpo, isolamento acústico e visual e flutuação que anula os efeitos da gravidade, principalmente sobre a coluna espinhal, ou seja, você se sente de volta ao útero materno. É fantástico e relaxante. Vale a pena conhecer.
Viajar é a melhor universidade que existe e é sempre uma grande fonte de aprendizado para quem sabe. Quando se visita Israel é possível quebrar vários mitos que recebemos da MSM (Mainstream Media). Primeiro deles: que só existem judeus em Israel. De fato há mais de um milhão de muçulmanos vivendo no país e convivendo pacificamente com os judeus.
Segundo: que os árabes ou muçulmanos são todos terroristas, nada mais errôneo do que isso. Os muçulmanos são extremamente gentis e tratam você com alegria e curiosidade, muito diferente da recepção que se tem dos judeus. Aliás se há um grupo terrorista relevante no mundo, ele está intimamente conectado com as grandes corporações, com as produções de Hollywood e com as cadeias televisivas estadunidenses e inglesas CNN, BBC e FOX.
Terceiro: que os muçulmanos querem a guerra e não aceitam a existência de Israel. Há de fato certos grupos e governos que não concordam com as políticas de Israel, porém quem realmente patrocina esta interminável agressão é o próprio Estado de Israel que parece se alimentar da violência e da máquina de guerra. É só você refletir: se um estado invade seu país que é soberano com desculpas forjadas (vide 11 de setembro), patrocina guerras internas no seu país, lança mísseis que matam sua família, crianças, mulheres e idosos e demoniza a sua religião, é óbvio que você não irá gostar desse país. Porém, a quem menos interessa a paz é a Israel e eles não consideram quem não for da religião deles como seres humanos semelhantes. Nós seremos sempre uma raça inferior a serviço deles, lembre-se disso.
Por fim Jerusalém é um lugar fantástico e a prova de que as religiões podem sim conviver harmoniosamente desde que respeitem umas a outras. Enquanto a política e a máquina de guerra e violência andarem de braços dados com as religiões dominantes neste mundo moderno, não haverá fim para a exploração e sofrimento do ser humano. Lembre-se que a Idade Média, não faz muito tempo, foi uma das épocas mais sangrentas da história recente na qual a Igreja Católica torturou e queimou cruelmente centenas de milhares de homens, mulheres e crianças usando todo tipo de alegação absurda ou fajuta. Tudo isso com o aval dos reis e príncipes da época. É vergonhoso, mas é bom que todos saibam para que isso não se repita. Após duas semanas no país, segui então para a Jordânia de ônibus. um grande abraço.
Lucas Ramalho






Dead sea



































