O Mundo em Fotopoesia: Portugal
Portugal é uma terra de sabores. Viajar por seus rincões é antes de tudo uma experiência degustativa. Cheguei por lá a pé vindo de Santiago de Compostela. Ora pois, além de fazer o caminho francês de Santiago, fiz o caminho lusitano invertido, de Compostela até valença do Minho na fronteira com a Espanha. Ali a primeira descoberta: as piadas que contamos no Brasil sobre os portugueses tem uma base verídica, alguns deles realmente tem uma lógica ilógica. Contei a um gajo que era brasileiro e que tinha chegado a pé a Portugal e ele logo me perguntou se eu tinha vindo a pé do Brasil! Mais adiante um senhor bem velhinho junto com sua mulher insistiu veementemente em me levar até o Porto e eu acabei cedendo à carona, terminando assim a caminhada. Me deixaram na entrada da cidade e eu fui andando até o centro sendo parado diversas vezes. Me pagaram cervejas, me ofereceram drogas, tiraram fotos comigo e um deles, me vendo com os bastões de caminhada e com a mochila enorme nas costas, perguntou se eu era esquiador. Só me faltava a prancha. Porto é uma cidade graciosa e logo consegui um couch para ficar, na casa do Filipe, professor da universidade local. De férias do trabalho, mas com o salário cortado pela crise, resolveu abrir as portas de sua casa para os viajantes. Anfitirão muito bom que me levou para todos os lados da cidade e do país. Um vinho do porto aqui, uma bacolhoada ali, um evento acolá. Diga-se de pasagem, para quem pensa que só existe um meio de preparar bacalhau, em Portugal existem mil e uma maneiras e até no café da manhã é possível comê-lo. O mais exótico eram as punhetas de bacalhau, que apesar do nome engraçado na verdade é o bacalhau demolhado em tiras consumido cru com azeite e vinagre. Muito bom e com um vinho branco fica ainda melhor. Vinho bom e barato comparado ao Brasil. Falando em preços, Portugal é baratissíssima comparada a outros países da Europa e lá é possível ter bons almoços por um punhado de euros.
Após um tuor de uma semana pelos arredores do Porto, passamos por Fátima, centro religioso do país, famoso pela aparição de Nossa Senhora a três crianças camponesas revelando três profecias em 1917. Fui ainda com Filipe a um festival alternativo chamado Músicas do Mundo com bandas afro-europeias de três dias. Acampamos por lá com alguns outros amigos e curtimos o agito do lugar. Depois, Hugo, um dos amigos do meu anfitrião, estava indo para o Boom Festival e eu aproveitando a carona segui viagem com ele. É um festival bienal com uma semana de música eletrônica no interior do país, é a versão lusitana do Universo Paralelo que ocorre na Bahia. Com um calor de rachar a cuca, uma represa pra se refrescar, muitas atividades, ecologia, interação e gente do mundo todo, o ambiente é realmente uma explosão de energia. Terminei minha trip lusitana com uma curta visita a Lisboa onde me hospedei na casa de um outro português que conheci no festival. Por todo tempo que fiquei no país, não paguei nem condução nem hospedagem e agradeço altamente a todos que fizeram parte desta parte da minha viagem. Ssgui então de barco para o Marrocos. Fica bem!
Mister Luram Toccacelli
















































