O Mundo em Fotopoesia: Budapeste
Após celebrar meu aniversário em Praga, fui começar meu ano novo em Budapeste. Pra quem quer celebrar a vida de uma forma especial, a cidade é o lugar. Encontrei meu anfitrião no centro através de uma conhecida portuguesa. Um apartamento pequeno com sala, cozinha e um dormitório abrigou na primeira noite incríveis dez convidados, mais apertado que o metrô de São Paulo e mais divertido que o Cirque du Soleil. Havia viajantes da África, Austrália, Oriente Médio, Europa e pra completar a festa, o dono do apê tinha uma banda e os músicos também dormiam por lá. Ou seja celebração e música toda noite. Uma das convidadas era Morgen, viajante de primeira que nasceu em Camarões e viajava a europa descalça, sem passaporte, sem dinheiro, com um pau de arara nas costas, mas que graças ao seu Ukulele e a sua animosidade conseguia tudo o que precisava para seguir adiante.
Durante o dia, visitas a importantes pontos culturais da cidade que está recém se despedido de seu triste passado comunista. Para se ter uma idéia, a Húngria sofreu cinco invasões em sua histórias e em todas elas, não se deu bem. Foi completamente destruída pela Áústria, sofreu com o Holocausto e ainda penou na mão da antiga União Soviética. Atualmente muitos edifícios abandonados foram aproveitados e se tornaram bares improvisados bem estilosos. Os músicos tocavam cada noite em um bar diferente e nós fazíamos o coro. O álcool como em todos os países do leste europeu era super barato e tinha até rodízio. Depois das dez da noite não podia ser vendido em mercados. Mas sempre dá-se um jeito. Numa das noites um pub crawl animado percorreu a cidade com um dos músicos, Bart, tocando violino pelas ruas da cidade. Noutra, a banda embalou a noite no bar Krimo e agitou a galera. A mais memorável de todas as noites, no entanto, foi a da lua cheia do dia 29 de setembro onde todos nós fizemos um tuor por vários bares da cidade, indo inclusive a um chique bar cigano onde Morgen, descalça, ganhou vários drinques e comida de senhores engravatados que desfrutavam da música no local. Tudo terminou no telhado do apartamento às sete da manhã onde cantavamos animados vendo o sol nascer. Os vizinhos enlouqueceram nesse dia.
Outras curiosidades da minha visita: o elevador do prédio aonde fiquei era extremamente velho e só comportava apenas três pessoas. Numa das noites entramos em quatro e ele começou a falhar na subida. Houve pânico estilo pegadinho do Sílvio Santos e eu só voltei a vida depois que ele abriu as portas no último andar. Outra: toda manhã quando chegávamos da farra pelos bares da cidade, eu costumava jogar xadrez com os músicos da banda e sempre conseguia ganhar mesmo estando com bastante álcool na cuca. Por último, durante a minha estada em Budapeste, no terceiro dia, todos os dez convidados fomos embora do apartamento. Eu fui para a Eslováquia, mas a saudade de Budapeste foi tanta que eu acabei voltando no outro dia. Para minha surpresa, quando voltei, alguns dos outros convidados também tinham voltado e a festa continuou.
Das bebidas, a que se destaca é a Palinka, destilado de frutas considerado a bebida nacional da Húngria, e o Unicum, licor nacional. Das comidas, a mais famosa é o Goulash, sopa de carnes, vegetais, páprica e outros condimentos, uma delícia. Além disto, existe o Lángos, um salgado frito com farinha, fermento, sal e água com recheio de iogurte, batatas ou creme. Um Chicken Paprikash também cai bem, frango ensopado sempre com páprica, creme e outras especiarias. Com uma culinária farta destas, a cidade merece no mínimo uns dez dias para ser explorada. Sem contar que tudo é pelo menos a metade do preço da “outra” Europa. Pra quem ainda não se atreveu a explorar a área, vá sem medo de ser feliz e desfrute desta cidade incrível que celebra cada noite como se fosse a última. Neste ritmo, segui então para a Croácia. Fenékig!
Lucas Ramalho

















