Sempre fui apaixonado por viagens. Aos 15 (quinze) anos, peguei emprestada a bicicleta de seu avô Durão e percorreu em um dia os 125 km que separam São Paulo de Paraíbuna, cidade próxima à Serra do Mar. Sem levar qualquer dinheiro ou equipamento, dei minhas primeiras primeiras pedaladas rumo ao desconhecido. Também por esta idade comecei a escrever poesias. Inspirado por meu pai Junior que escreveu centenas delas e por meu tio Cícero de Sá já falecido. Este último escreveu os livros “Um Raio de Sol – Pequeno Pouschkin” e “A consagração de Tomás” alcançado tiragens de até vinte mil exemplares na década de 80.
Aos 19 anos, de férias do emprego na faculdade, fiz minha primeira viagem de avião. O Destino foi Holanda. Foram dez dias na cidade de Amsterdã que modificaram profundamente minha forma de encarar a vida. Desta viagem resultou o livro “Espiral Poética“ que inclui 33 poesias selecionadas dentre centenas outras que eu tinha escrito na época. A partir de então fui mordido pela pulga do viajante.
Pedalei em grupos diversas vezes para o interior de São Paulo, aproveitando as férias e as folgas do trabalho para realizar curtas viagens para a América do Sul e para a Europa. Neste ritmo também conheci a Amazônia, Foz do Iguaçu e Fernando de Noronha, passando, no total, por mais da metade dos estados brasileiros. Outro ponto alto para minha vivência foi uma viagem de 21 dias em Janeiro de 2012 com destino à Patagônia Argentina e Chilena, fundamental para consolidar uma das minhas atividades favoritas: montanhismo.
A Volta ao Mundo
Todas essas viagens sempre tiveram um prazo curto e foi assim que movido pelo sonho de conhecer a Índia decidi trancar a graduação e largar o emprego em abril de 2012 para realizar uma viagem de longa duração. Com um tempo relativamente longo, comecei pela Europa. Aproveitando o verão, tive tempo suficiente para esmiuçar cada detalhe que o velho continente guardava. Sempre escrevi poesias por onde passava, estava lançando pouco a pouco as bases para o livro que viria futuramente. Oriente Médio trouxe a vivência dos conflitos que tanto vemos nos noticiários, mas sob uma ótica inteiramente nova: a da possível, real e tão necessária convivência entre grupos diferentes. África mostrou realidades pouco conhecidas por aqui. De muita pobreza, mas também de superação. De tristeza e também de sorrisos. De grandes disparidades e de uma mensagem de que há muito ainda para ser feito pelo mundo. Mas foi realmente a Ásia que me encantou. A começar pela Índia que é sempre um caso a parte de tudo que se conhece. Três meses pelo país garantiram um primeiro contato com os costumes locais, tradições, festivais e locais sagrados da Índia. Mas este foi apenas o engatinhar pelo país. Nepal concretizou o sonho de estar na maior montanha do mundo: Everest. Uma expedição ao acampamento base garantiu um sentimento de realização indescritível que só a linguagem poética poderia traduzir. Tailândia serviu como um descanso depois de tantos quilômetros de caminhada. Camboja e Vietnã surpreenderam pelas peculiaridades intrínsecas de cada país. Indonésia deu o fechamento triunfal à viagem. De volta à São Paulo em 2013, reencontrei minha família (pai e mãe, avós, irmãos e amigos) e decidi compartilhar através deste site, do livro e da poesia minhas vivências e aprendizados para todos aqueles dispostos a ouvir a mensagem que a vida tem para nós.
Este mundo que parece inacessível e intransponível para alguns está justamente aqui bem pertinho de nós esperando que um dia decidamos sair de casa, de nosso pequeno mundo para por o pé na estrada, para viver a poesia que ele nos guarda. Há muitos problemas no mundo, é verdade, mas cada um de nós podemos fazer parte da solução. Conhecê-lo é o primeiro passo neste sentido.
Lucas Ramalho
