Glaciar Perito Moreno
Seguindo a expedição, a próxima parada foi em Calafate. No dia 30 de janeiro fizemos um mini trekking no famoso Glaciar Perito Moreno. Este gigantesco glaciar é um dos poucos do mundo que se mantém estável graças aos ventos provenientes do Pacífico e da constante neve que se forma nos topos da montanhas circundantes e que alimenta a geleira com o passar dos anos. Após uma viagem de quase duas horas de ônibus chegamos no parque nacional Los Glaciares no qual se desembolsa 70 pesos para ingressar para aqueles residentes no Mercosur. A primeira parte do passeio consiste em andar pelas passarelas e se aproximar tanto da parte à direita quanto à esquerda da geleira. A visão que se tem é realmente fantástica e a cada momento pode-se escutar pequenos estrondos que indicam a movimentação do gelo. Vez ou outra uma parte maior da geleira desaba nas águas proporcionando um belo espetáculo. De volta ao ônibus fuimos até o barco que nos cruzaria ao local onde iríamos caminhar sobre a geleira. Neste trajeto conheci Floris e Blonk, jovens holandeses recém-formados que estavam tendo seu ano sabático viajando pela América do Sul. Após uma breve explicação dos instrutores, colocamos os crampones (suportes específicos para andar no gelo) e passamos a caminhar sobre aquela imensa massa de gelo. Seguimos uma trilha bem batida e passamos por pequenos riachos formados pelo derretimento do gelo que se dirigem a enormes gretas, verdadeiros toboáguas que chegam a 80 metros de profundidade. A caminhada dura em torno de 1h30min e no final podemos apreciar um bom uísque. À noite fuimos jantar no Restaurante Cambalache, onde conhecemos Bárbara, uma holandesa que trabalha com eventos em Amsterdam. O jantar foi muito divertido e disfrutamos de um bom vinho.
Chorillo del Salto
No dia seguinte Pedro, Bárbara e eu pegamos o ônibus rumo à El Chaltén. Este é um pequeno vilarejo de onde partem todas as trilhas para o mítico Fitz Roy e picos circundantes. Chegamos por volta das 11 horas, passamos no centro de visitantes, e seguimos para o hostel. De tarde fizemos uma caminhada leve até chorrillo del salto. O passeio é leve, dura uma hora e pode-se observar uma bela queda da água. À noite foi o jantar de despedida. Eu iria fazer o circuito de 3 noites nas montanhas, Pedro iria regressar à Ushuaia e Bárbara estava indo à Bariloche. Jantamos no restaurante Ahonikenk com John, britânico que estava há um ano viajando pelo mundo, e com uma moça francesa. O local é aconchegante e preços amenos. Os pratos são realmente grandes e eu optei por uma pasta picante que estava ótima. Despedida feita, no dia seguinte era hora de começar o circuito.
Poincenot e Laguna de los Tres
Dia 01 /02. Acordei cedo para alugar a barraca e o fogareiro que eu não tinha. Comprei o saco de dormir, calças impermeáveis e estava usando os bastões emprestados por Pedro. Mochila cargueira nas costas com toda a comida que eu iria precisar, gás para 3 noites e claro um litro de vinho para acompanhar. Tudo conferido, peguei a van em direção à ponte do rio elétrico. Começava a chover, por isso resolvi colocar a calça e a jaqueta impermeável. Meu plano era seguir em direção à pedra do Fraile e ficar uma noite por lá. É um camping privado, custava 75 pesos. No mesmo dia planejava fazer o paso del Cuadrado. Porém meu senso de navegação não estava apurado. Comecei às 13h. Eram duas horas de caminhada nas quais eu deveria ir margeando o rio elétrico, mas logo no começo me desviei numa picada à esquerda e após 20 minutos fui parar no rio Blanco. Percebendo o erro voltei quase até a metade e tentei alcançar o rio Elétrico um pouco mais acima. Achei uma trilha bem batida e pegando-a à esquerda fui seguindo por 20 minutos até que a trilha terminou em um rio bem largo. Pelo mapa constava que eu teria que cruzar dois rios bem estreitos. Eu pensei que esse era o primeiro e me aventurei a cruzá-lo. Porém suas águas estavam fortes e eu não conseguiria passar sem molhar as botas. Cruzei o primeiro trecho, porém o maior estava mais à frente. Por 10 minutos procurei um lugar pra cruzar e resolvi arriscar mais a cima, porém antes acabei molhando as botas. Tirei-as e descalço consegui cruzar as águas congelantes do…Rio Blanco. Isso mesmo! Segundo erro, ao invés de pegar a última trilha à direita sentido Pedra del Fraile, fui à esquerda em direção à Poincenot e pior, cruzei o rio sem necessidade alguma. Pois bem não havia o que lamentar. Mudei de planos e iria acampar em Poincenot mesmo. No caminho adivinha quem eu encontro? Floris e Blonk, os holandeses do Perito Moreno. Eles seguiam até o mirador Piedras Blancas que eu havia passado e então combinamos de nos encontrar em Poincenot dentro de uma hora. Chegando lá montei minha barraca ao lado da deles sem saber. Porém me lembrei de algo importante, quer dizer, lembrei que tinha esquecido algo importante: meu isolante térmico para por embaixo do saco de dormir. Erros de principiante. Como não estava tão frio e não havia ameaça de chuva fiquei tranquilo. Tudo certo, deixei a cargueira na barraca e fomos às 18h rumo à Laguna de los Tres. Uma boa subida e uma hora depois vemos Fitz Roy imponente encoberto por nuvens no topo. As duas lagunas são lindíssimas, tanto a de los Tres quanto à Súcia. Ficamos lá por mais de uma hora apenas admirando aquela obra-prima, sem palavras diante daquele espetáculo. depois comemos um lanche e descemos para preparar a comida. Eu preparei um macarrão e para espanto de Floris, eu tinha dois ovos pra fritar, porém um deles se quebrou no caminho. Ainda tinha o outro e…após aprontá-lo na frigideira quando iria jogá-lo na panela do macarrão ele…caiu na terra. Rapidamente peguei o ovo frito e joguei na panela assim mesmo afinal um pouco de terra não faz mal a ninguém hehe. Dormi muito bem e tinha a missão de no dia seguinte acordar às 4h e retornar à laguna de los Tres pra ver o sol nascer.
Laguna de los Tres e Loma de las Pizarras
4h30min da manhã Floris me chamava. Rapidamente me aprontei e começamos a subir novamente a montanha. Desta vez usamos lanterna pois estava escuro. Muita gente estava subindo e uma hora depois novamente estávamos no topo. Desta vez estava mais frio e eu pulava para me manter aquecido enquanto batia uma ou outra foto. O sol nascendo proporciona um espetáculo lindo inundando todo o vale de luz e fazendo quase brilhar o Fitz Roy que desta vez estava sem nuvens. Um dia único e memorável. Mais 20 minutos e descemos para a barraca. Dormi mais um pouco e acordei às 11 horas. Bob e Floris iriam para o acampamento Agostini. Eu deixei minha barraca no Poincenot e iria subir a Loma de las Pizarras, uma caminhada bem exigente de onde se pode avistar o Fitz Roy por outro ângulo e com uma visão superior das lagunas de los Tres e Súcia. Acompanhei-os até a metade e um pouco depois de passar pela laguna Hija, exatamente às 14h45min me despedi deles e entrei à direita num bosque. Não havia trilha, porém a mata tinha bastante espaço para caminhar e era possível a todo momento avistar o topo da Loma. Parecia perto, apenas parecia. 20 minutos subindo sai numa área aberta e agora sim era caminhar sem parar. Fui subindo pela face leste da montanha. A todo instante era necessário tomar cuidado com as pedras grandes soltas, com alguns trechos de pedras pequenas partidas e com o vento que aumentava. Quando tinha a impressão que havia chegado, sempre havia um vale e mais um trecho de subida. Porém a vista que se tem de toda a região é fantástica. Pode-se ver El Chaltén, a laguna Madre, Hija e Capri e toda a região. Assim após uma hora e meia cheguei a um lago e a uma geleira já bem perto do Fitz Roy. Estava a quase 1500 metros de altitude e o vento era bem mais forte. Havia uma última subida. Deixei a mochila e os bastões perto do lago, comi umas bolachas, tomei um pouco de mel e comecei o último trecho bem íngreme. Após alguns escorregões cheguei ao que parecia um corredor de vento que vinha diretamente do glaciar por trás daquela região. Tive então a incrível visão das duas lagunas e do Fitz com poucas nuvens. Tirei algumas fotos, mas como o vento fortíssimo ameaçava me carregar fiquei pouco tempo naquela parte. Não havia encontrado ninguém naquela trilha. Logo desci, peguei as coisas e fui voltando para minha base. Porém fiz outro caminho, ao invés de retornar até o bosque, peguei um trecho mais inclinado com pedrinhas soltas que daria exatamente na laguna Hija. Tive a oportunidade de esquiar na montanha, pois com os dois bastões fui fazendo ziguezagues nas pedrinhas até chegar a base. Momento único. Após uma hora já estava na laguna com os pés doendo e bem cansado. Mais 40 minutos até Poincenot e preparei meu arroz 4 queijos com atum, tomei um pouco de vinho e fui dormir satisfeito com este dia
Piedra Del Fraile (bate e volta)
Dia 03/02. Não queria desmontar minha base nem pagar o camping, então resolvi fazer um bate e volta até Piedra Del Fraile. Uma senhora caminhada. Às 11 horas parti depois de tomar um simples café da manhã. Apesar de ser extensa, a trilha não exige maiores cuidados, apenas manter-se à esquerda após cruzar a cerca que indica que o local é uma propriedade privada. A primeira metade basta acompanhar o Rio Blanco e a outra subir o rio Elétrico. Esta última metade é feita em uma estrada mais larga onde quadriciclos podem passar abastecendo o camping com gás e alimentos. Cheguei no local às 14h30min. Pedi informações e o funcionário do local me cobrou 25 pesos para passar. Na verdade ele queria me cobrar 75 mas eu disse que não iria acampar então ele cedeu. Perguntei quanto custava o café: 50 pesos que na época valia 20 reais. Até então eu não tinha bebido algo quente na montanha mas me recusei a pagar aquele preço. Pois bem segui em frente em direção ao lago elétrico e a Playita. Passando por uma região de um extenso vale com montanhas dos dois lados pude contemplar agora o outro lado do Fitz Roy. Vale a pena ir até lá. A paisagem é linda e o rio também. Não tinha tempo de ir à Playita, pois é necessário ir por cima das pedras e demora 2 horas. Fui apenas até uma parte mais próxima do lago que demora apenas 30 minutos e vai-se por uma trilha bem simples. Fotos tomadas, voltei a lojinha. Fiz um lanchinho e ofereci um chocolate ao rapaz da loja. Ele retribuindo meu gesto ofereceu um chá bem quente. Gostei da atitude dele. Parti às 16h em direção ao Poincenot. Acompanhei um casal de portenhos que estavam na lojinha também. O casal comprou um café e um chocolate quente e pagou 90 pesos no total, 40 reais. Virei à direita na bifurcação e eles seguiram em frente até a hosteria El Pilar. Às 19 horas estava no acampamento, fiz uma sopinha e fui dormir pensando no banho do dia seguinte e no prato que eu iria comer
Celebração no Hostel Pioneiros Del Valle
Às 11h do dia 4 parti rumo ao hostel que estava hospedado. Empolgado por um banho quente hehe, mantive um ritmo bom passando pela Laguna Capri. Na montanha aprendemos a valorizar cada momento de nossa vida, um ótimo banho, um café da manhã, uma companhia, uma comida quente. Ela nos convida sempre a nos mantermos no presente, sempre alertas ao que está acontecendo. Neste dia ventava muito e chovia também, mas isso não me impediu de às 14h chegar ao hostel. Banho delicioso tomado, parti em direção ao Ahonikenk onde desfrutei de um ótimo vinho e um guiso de cordeiro. A noite foi bem especial, ficamos na recepção do hostel cantando músicas da América. Seu Daniel que trabalha lá estava com uma viola e juntamente com mais algumas hóspedes mandou alguns clássicos como Guantanamera, Garota de Ipanema, La Barca, entre outros… De madrugada fui a um festival de música local ao ar livre que rola todo sábado no vilarejo. Estava muito frio, mas animado pela música tomei umas cervejas e comi um choripán, ainda encontrei um brasileiro por lá. Fui dormir às 4h. No dia seguinte após o café da manhã decidi cancelar a reserva para este dia e voltar para Calafate rumando depois em direção ao Chile, mais especificamente para o incrível Parque Nacional Torres del Paine, o que fica para a próxima postagem… não percam hehe!






























Comente!