Carnaval é tempo de cidade lotada, calor, trios elétricos e foliões por toda a parte, não é mesmo? Foi justamente por isso que eu e meu irmão Vitor decidimos quebrar este paradigma e visitar um local mais alternativo sem tanta muvuca e cercado de natureza, ou seja, São Tomé das Letras. Situada na serra da Mantiqueira, no sul de minas, pertinho de Três Corações, a 350 quilômetros de São Paulo, a cidade reúne todos os tipos de pessoas: roqueiros, regueiros hippies, famílias, alternativos, fugitivos, ativos e inativos.
Sábado de carnaval, após seis horas de viagem chegamos finalmente à quarta cidade mais alta do País. Após uma rápida busca por acomodação, encontramos o Rancho Casinha Branca da super animada Valéria. Acampamos por lá e logo voltamos à cidade para ver o por do sol sobre a gruta que fica bem no centro da cidade. Muita gente à noite estava pelo centro curtindo o som que vinha dos bares ao redor. Cansados da viagem fomos logo descansar um pouco.
Domingo visitamos as cachoeiras mais famosas: Eubiose, Flávio, Lua, Véu da Noiva e a mais afastada e menos movimentada Antares. Rendeu até um cochilo. À noite fomos ao show do famoso Ventania. No local haveriam shows de outras cinco bandas. O evento começou às onze e após mais de cinco horas de espera, vimos só o vento mesmo. Já eram quase cinco da manhã e o tal de Ventania ainda não tinha entrado no palco. Desistimos assim como muita gente. Reza a lenda que o show dele é só para raros e pouca gente consegue vê-lo cantar.
Dia seguinte, era hora de visitar as grutas. Começamos pela de Sobradinho que demora menos de dez minutos. Logo seguimos para uma menor chamada labirinto um pouco mais à frente. Após o almoço chegamos até a cachoeira das borboletas completamente lotada e fomos em seguida para a famosa ladeira do amendoim onde os carros desligados sobem sozinhos. Realmente meu carro desligado começou a subir ladeira acima até mais rápido do que eu esperava (vídeo). É incrível a sensação do lugar. Mesmo a pé é possível sentir que é muito mais fácil subir do que descer. Uma das explicações é o elevado magnetismo do local que atuaria contra a gravidade. Bem pertinho dali existe uma gruta fechada pela justiça que, reza a lenda, daria acesso à Machu Picchu. Expedições realizadas anteriormente não conseguiram encontrar o fim dela. Eu e o Vítor, corajosos, resolvemos desbravar a gruta e mesmo com a grade e o arame farpado, conseguimos explorar um pouco dela. Infelizmente eu estava sem lanterna e não pude seguir muito adiante. Ela começou a se fechar logo no início e possuía muitos mosquitos e morcegos. Quem sabe uma expedição mais preparada em uma próxima oportunidade poderia desvendar o mistério?
Na quarta de cinzas fizemos uma visita à Fundação Harmonia, ao lado do rancho. A organização busca trabalhar em harmonia com a natureza, sendo que todos os seus integrantes são voluntários. O objetivo básico dela é a felicidade e o bem estar. Contemplam templos, monumentos e estátuas de todos os povos e religiões, desde os Celtas até os Judeus, passando por egípcios, gregos e hindus. Possuem reaproveitamento da água da chuva, gerador próprio, hortas e até mesmo um observatório astronômico em construção. Um fato curioso é que o lugar é associado com diversos mistérios. Um deles diz que um cavaleiro vestido de monge em um cavalo branco faz a ronda noturna do local. Isto realmente foi confirmado na visita sendo que o cavaleiro passa até mesmo atrás do rancho em que estávamos hehe. Outro mistério ao visitar o local foi a forma de colibri que se formou no milharal sendo que o milho dobrou sem se quebrar a la círculos concêntricos. Um dos membros da organização garante que elas foram feitas por discos voadores que costumam ser avistados no local. É ver para crer. Finda a visita, nos despedimos do pessoal do camping, da Valéria e sua mãe Teresa e fomos então para casa satisfeitos com mais esta aventura pelo Brasil.
Lucas Ramalho














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